palavras e imagens perdidas

quarta-feira, outubro 18, 2006

Afogaram-me

Foi no dia 30 de Agosto deste ano de 2006 que me tentaram afogar.
Parece deveras dramático, mas a verdade é que hoje, passados quase dois meses ainda estou a retirar água dos meus pulmões.

Uma pessoa nunca sabe o seu futuro, esforça-se por esquecer o passado e quando pensa que o presente até está a correr bem, vem uma onda e tira esse pensamento. Não há sequer hipotese de criar um muro contra a onda, porque seja de que tamanho ou grossura for, a onda acaba com tudo.
E acabou.
Os que nos vêm salvar, dizem que compreendem... Os que não querem saber, mandam piadinhas ao ar sem conhecimento de causa e esquecem-se que ás vezes, uma pequena brincadeira pode transbordar a taça do sofrimento.
Têm sido dias difíceis...
Muitas lágrimas, muita falta de ar, muitos gritos, muita falta de auto-controle, muitas questões sem resposta, falta de sorrisos, falta de calor, saudades...
Costuma-se dizer que quando sentimos saudades é porque o passado valeu a pena. Vale a pena, quando a alma não é pequena, já dizia um poeta... Mas e quando essa alma nunca existiu? E quando essa alma é afogada? Serão as saudades prova de que tudo um dia poderá voltar a ser bom? Será que a alma não é mesmo pequena?
O ser humano não aguenta com tudo... Uma ilusão que foi criada, um desprezo que é dado, uma agressão oral dada injustamente, aguentar tudo porque tem que se aguentar...

"Mas querida, tu não estás sozinha" É o que é dito muitas vezes...
Se não estou sozinha, não entendo porque me sinto sozinha...
Os sentimentos são tudo menos ilusões.
Quando é que este pesadelo vai terminar? Quando vou novamente ter vontade de fazer o que fazia? Temo estar a enganar-me. Temo que ao fazer coisas novas e tentar divertir-me esteja a enganar-me e a fugir ao que realmente é a realidade.
Tenho pavor a sonhos...Sonhar tráz-me tristeza.

Preciso de forças e ainda não descobri aonde busca-las.

2 Comments:

Blogger .anna. said...

"querida tu nao estás sozinha". não estás mesmo.

podia pôr-me apra aqui a tecer mil e uma coisas, mil e uma vidas de palavras, mas não creio que seja necessário. entre nós nunca houve a necessidade das palavras se não para esclarecer mal-entendidos. porque entre nós sempre houve apenas um olhar a bastar para a conversa ser longa. porque entre nós não há falta de coisa alguma, ou se há é exagero de distância e de espaçamento temporal em que nos vemos.

"querida tu nao estás sozinha". pois não. não estás. mas não posso dizer-te que estou ao teu lado, do teu lado, porque não é verdade. é mais, o que eu sou é +ior. sou uma lapa que se colou à tua alma e que te segue. sou um bocadinho de ti, como és um bocadinhod e mim, sem ser preciso dizer que estou aqui. porque a amizade é feita dessas pequeninas coisas. da falta de palavras, dos olhares e, para nós duas, de abraços.

"querida tu nao estás sozinha". amanhã tens o meu abraço e tens-me a mim toda ouvidos, toda olhos para ti.

amo-te.

1:47 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

"16/9/06

Como será entrar no tormento, nú entro no labirinto sombrio sem saída, sem solução, esperança, ilusão para guiar na solidão...como será? Estou a descobrir, novamente. E o quanto que dói, latência em aceitar, e acreditar que o céu caiu em cima, quando já se pertenceu a esse campo estrelado. Agora...
Agora não sei, sinto-me tão pequeno, tão perdido dentro de mim, olho para o céu estrelado, e não mais estrelas tem, abatendo-se que nem tempestade, buraco negro sugando tudo o que tive, desejei, desperdicei...não tenho alimentado esta tempestade voraz, e não me sinto mais capaz de a suster...e sugar o pouco que, iludido, tinha...sonhos perdidos...para não mais voltar...
Só tenho uma palavra a descrever: vácuo."

Esta é uma passagem do meu "diario", somente para mostrar que estás sozinha, como outras tantas ilhas neste grande oceano a que todos pertencemos.
As respostas encontras dentro de ti, cada um tem uma forma de viver e sentir muito própria, e por mais que se "compreenda", nunca o é por completo.
Não tenhas medo de sonhar, "o sonho comanda a vida", ser feliz, sê tu própria, desde que estejas bem contigo, e fazeres o que gostas.
Sou um anónimo, não nos conhecemos, somente Coimbra como cenário de fundo.

9:42 p.m.  

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